Há pessoas que correm
quando a vida pesa.
Outras nadam,
treinam,
pedalam,
caminham até o cansaço
começar a falar mais baixo
que a dor.
Cada um encontra
um jeito próprio
de atravessar
o que não sabe explicar.
Quando tudo aperta por dentro,
o corpo parece entender
antes da mente.
Ele pede movimento.
Pede ar.
Pede distância do excesso.
Pede um lugar onde o pensamento
não tenha tanto poder.
Há dias em que não se busca força
por vaidade,
nem disciplina por aparência.
Busca-se apenas
uma forma de continuar.
O suor leva embora
um pouco do peso.
A respiração organiza
o que estava espalhado.
O passo repetido
devolve presença.
O silêncio do caminho
recoloca a vida
em seu devido tamanho.
Talvez seja por isso
que, quando a vida não está bem,
alguns movimentos
se tornam mais intensos.
Não é fuga.
É tentativa de cura.
É aterramento.
É o corpo dizendo
que ainda existe chão
quando tudo parece incerto.
E aos poucos,
sem grandes respostas,
algo se acomoda por dentro.
O problema pode continuar ali.
A vida pode não mudar de repente.
Mas o peito encontra espaço,
a mente descansa um pouco,
e a alma lembra
que ainda sabe voltar
para si.
