Há momentos em que a vida
precisa se retirar para a montanha.
Não para fugir do mundo,
mas para respirar longe dele.
Para deixar os problemas
um pouco mais abaixo,
onde o vento não pesa tanto,
onde o silêncio toca
aquilo que a pressa cansou.
A montanha não exige respostas.
Não cobra explicações.
Não pergunta o que ficou para trás.
Apenas permanece.
Com sua calma antiga,
com seu chão firme,
com sua maneira silenciosa
de lembrar que nem tudo precisa
ser resolvido no mesmo instante.
Ali, o corpo desacelera.
A respiração encontra espaço.
Os pensamentos, pouco a pouco,
deixam de correr por todos os lados.
E algo simples começa a acontecer:
a energia se refaz,
a paz se aproxima,
a alma volta a escutar
o que havia se perdido
no excesso dos dias.
Talvez seja isso
reconectar-se com a própria essência:
voltar ao chão,
sentir o presente,
deixar que a natureza organize
o que o mundo desordenou por dentro.
Na montanha,
os problemas não desaparecem,
mas perdem um pouco do tamanho.
O mundo continua existindo,
mas já não ocupa tudo.
Há mais espaço para o silêncio.
Mais espaço para respirar.
Mais espaço para lembrar
que a vida também precisa
de pausa, de presença
e de retorno.
E talvez, ao descer,
nada esteja completamente diferente
do lado de fora.
Mas algo pode ter se movido
silenciosamente por dentro:
o peso encontra descanso,
o chão volta a sustentar,
o ar entra mais leve,
e a vida, aos poucos,
volta a caber no peito.
