Há um tipo de cuidado
que não se vê por fora.
Não faz barulho.
Não chama atenção.
Não precisa ser anunciado.
Ele começa em silêncio,
quando a vida pesa
e, mesmo assim,
há uma tentativa pequena
de não se tratar com dureza.
Às vezes, cuidar de si
não é fazer grandes mudanças.
É apenas parar de exigir
força o tempo todo.
É reconhecer o cansaço
sem transformar isso em culpa.
É permitir uma pausa
sem chamar a pausa de fraqueza.
É olhar para as próprias feridas
com menos cobrança
e mais humanidade.
Há dias em que a gentileza
precisa começar por dentro.
Na forma como se fala consigo.
Na maneira de respeitar os próprios limites.
No direito de não estar bem
sem precisar explicar tudo.
Porque nem sempre a vida pede pressa.
Nem sempre pede solução imediata.
Às vezes, ela pede apenas
um pouco mais de ternura
no lugar onde antes havia cobrança.
Cuidar de si
é aprender a não se abandonar
nos dias difíceis.
É perceber que o coração
também precisa de abrigo.
Que a alma também se cansa.
Que ninguém floresce
sendo tratado por dentro
como se fosse sempre insuficiente.
Talvez a cura comece assim:
não como um grande acontecimento,
mas como uma mudança delicada
na forma de permanecer consigo.
Menos julgamento.
Mais escuta.
Menos pressa.
Mais presença.
Menos guerra interna.
Mais descanso.
Porque o cuidado mais profundo
nem sempre começa nas mãos de alguém.
Às vezes, começa
quando se aprende, pouco a pouco,
a ser um lugar mais seguro
dentro de si.
