Pensamentos são sementes
lançadas no silêncio,
algumas chegam com o vento,
outras permanecem
porque encontram abrigo.
Nem tudo o que passa pela mente
deseja criar raízes.
Há medos que são apenas nuvens,
lembranças procurando saída,
cansaços vestidos de presságio.
Mas aquilo que se alimenta
cresce.
O pensamento repetido
muda o olhar,
inclina os passos,
abre ou fecha caminhos
antes mesmo da chegada.
Quem espera somente espinhos
talvez não reconheça
a flor nascendo ao lado.
Quem conversa com a esperança
não se livra das tempestades,
mas aprende a procurar janelas
quando tudo parece escuro.
Pensar não é ordenar ao universo,
nem impedir que a dor aconteça.
É escolher o que receberá morada
depois que a dor passar.
Porque a mente também é jardim:
nem toda semente que cai
precisa ser cultivada.
Algumas devem seguir com o vento.
Outras merecem água,
tempo
e luz.
E, pouco a pouco,
aquilo que floresce por dentro
ensina os olhos
a encontrar novos caminhos
do lado de fora.
