O corpo escuta
aquilo que a alma silencia.
Percebe a pressa,
recolhe o medo,
guarda nos ombros
o peso dos dias
e transforma em cansaço
o que não encontrou palavras.
Mas também reconhece
a delicadeza de um pensamento sereno,
a pausa que devolve o fôlego,
a alegria que percorre o peito
como luz entrando pela janela.
Tudo vibra.
A palavra oferecida,
o pensamento cultivado,
a presença de quem acolhe,
o ambiente que abraça
ou lentamente enfraquece.
Há energias que expandem
e outras que pedem distância.
Há encontros que renovam,
silêncios que restauram
e escolhas que devolvem
o corpo à própria harmonia.
Cuidar da saúde
também é observar
o que permanece por dentro.
Não para negar a dor,
nem para acreditar
que toda enfermidade nasce da mente,
mas para compreender
que corpo e emoções
conversam em segredo.
Que os pensamentos encontrem calma.
Que as palavras carreguem cuidado.
Que a respiração seja caminho
de volta ao presente.
E que o corpo,
respeitado em seus limites,
alimentado de descanso, afeto e presença,
possa reconhecer novamente
a frequência tranquila
de estar em casa
dentro de si.
