Para conhecer a raiz de uma árvore,
não se amarram seus galhos.
Deixa-se que o vento chegue,
que a tempestade a provoque,
que outras paisagens
chamem por suas folhas.
Para conhecer a verdade de alguém,
não se fecham portas,
não se encurtam caminhos,
não se vigiam passos.
Oferece-se o horizonte.
É diante da imensidão
que cada alma revela
a direção de seus desejos.
Há quem receba asas
e escolha ferir distâncias.
Há quem encontre mil caminhos
e ainda preserve o afeto.
Porque o caráter não aparece
quando correntes impedem a partida,
mas quando nada prende
e, mesmo assim,
o respeito permanece.
A liberdade é um espelho
sem moldura e sem disfarce:
não muda a essência,
apenas permite
que ela caminhe
à luz do dia.
