Esperança e Suavidade

Onde as palavras encontram morada

Há textos que não chegam para ensinar.

Chegam para sentar ao lado.

Não carregam respostas prontas,
nem promessas de dias sem tempestade.
Apenas oferecem silêncio
o bastante
para que cada pensamento
possa respirar.

Algumas palavras
não mudam o mundo.

Mas mudam
a forma como alguém
atravessa o próprio mundo.

E isso,
muitas vezes,
é suficiente.

Há quem procure explicações.

Há quem procure companhia.

No fundo,
quase toda leitura
é um pedido silencioso
para não caminhar sozinho
pelos próprios labirintos.

Cada página encontrada
é uma porta entreaberta.

Cada verso,
uma pequena janela
por onde a luz decide entrar
sem pedir licença.

Talvez seja por isso
que algumas frases permanecem
mesmo depois que o livro se fecha.

Elas deixam de morar no papel.

Passam a morar
na memória,
na coragem,
na delicadeza dos dias comuns.

Existem encontros
que não acontecem entre pessoas.

Acontecem
entre uma alma cansada
e uma palavra
que chegou exatamente
quando era preciso.

E, desde então,
nenhuma das duas
segue igual.

Porque certas escritas
não pedem para serem lembradas.

Pedem apenas
que encontrem um lugar
onde possam florescer.

E quando encontram,

já cumpriram
o seu destino.

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