Relacionamentos e Vínculos

Quando a alma volta para casa

Há relações que não terminam
no dia da despedida.

Terminam antes,
quando a voz começa a diminuir,
quando o sorriso pede licença,
quando a alma se acostuma
a caber em espaços pequenos demais.

Às vezes,
a gente não percebe
o momento exato
em que deixou de se escolher.

Vai cedendo um sonho,
silenciando uma dor,
apagando uma vontade,
mudando o jeito de falar,
de vestir,
de sentir,
de existir.

E quando tudo acaba,
não dói apenas a ausência do outro.
Dói olhar para dentro
e não reconhecer
a própria casa.

Quem fui
antes de tentar ser suficiente?

Onde deixei
a minha leveza,
os meus limites,
a minha verdade?

Mas há uma beleza silenciosa
em voltar para si.

Não acontece de uma vez.
Começa pequeno:
numa decisão respeitada,
num não dito sem culpa,
numa manhã em que o coração
respira um pouco melhor.

A reconstrução não é pressa.
É recolher pedaços
sem se condenar
por tê-los perdido.

É entender que amor nenhum
deveria exigir
o abandono da própria essência.

E, aos poucos,
a alma reaprende o caminho.

Volta a ocupar o corpo,
volta a escutar seus desejos,
volta a confiar na própria percepção.

Porque a verdadeira cura
não é apenas sobreviver ao fim.

É perceber, um dia,
com ternura e firmeza,
que o relacionamento acabou,
mas a vida ainda chama.

E você, finalmente,
começa a voltar para casa.

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