Há dores que caminham por dentro,
sem fazer barulho no rosto.
Cansaços que não cabem
em explicações rápidas,
nem em olhares apressados.
Viver com um corpo que limita
é aprender, todos os dias,
a negociar com o invisível.
Há manhãs em que levantar
já é uma travessia.
Há tarefas pequenas
que exigem uma força enorme.
Há silêncios que não são ausência,
são tentativa de permanecer de pé.
Mas o mundo nem sempre entende
o que não consegue ver.
Julga o ritmo,
cobra presença,
questiona pausas,
mede coragem
pela aparência de normalidade.
E não sabe
quantas batalhas cabem
em um gesto simples.
Não sabe
que existe esforço
em continuar sorrindo,
em responder com calma,
em cumprir o possível,
em aceitar o limite
sem desistir da vida.
Há uma coragem silenciosa
em quem convive com a dor
e ainda procura delicadeza.
Há uma dignidade imensa
em quem segue,
mesmo quando o corpo pesa,
mesmo quando a alma cansa,
mesmo quando o entorno
não compreende.
Porque nem toda luta
precisa ser visível
para ser real.
E nem toda força
faz barulho.
Às vezes, sobreviver com ternura
já é uma forma profunda
de vencer.
