Não decida no auge da dor.
Quando o peito grita,
a mente corre,
a palavra pesa,
e tudo parece fim
antes mesmo
de encontrar silêncio.
Há momentos em que a ferida
fala mais alto
que a verdade inteira.
O medo aumenta as sombras,
a tristeza encurta os caminhos,
a raiva empurra portas,
e o cansaço transforma
qualquer escolha
em urgência.
Por isso, respire.
Espere a noite baixar.
Deixe o corpo descansar.
Permita que a alma
se afaste um pouco
do incêndio.
Nem toda decisão
precisa nascer
no meio da tempestade.
Mas também não ignore
o que a dor
está tentando mostrar.
Porque há dores
que não vêm para destruir,
vêm para revelar.
Elas apontam lugares
onde o respeito faltou,
onde o limite foi ultrapassado,
onde a paz foi adiada
por tempo demais.
A dor, às vezes,
é a linguagem do corpo
dizendo à alma:
algo aqui não está bem.
É o silêncio interno
pedindo cuidado.
É a verdade batendo
em uma porta
que já foi fechada
muitas vezes.
Então não escolha
pela ferida aberta,
mas também não volte
a se abandonar
quando ela parar de sangrar.
Espere a clareza chegar.
E quando ela vier,
escute com coragem
o que permaneceu verdadeiro
mesmo depois
que a dor passou.
