Reflexões Sociais e Existenciais

Quando o dia pesa

Há dias que começam
antes mesmo de começar.
Já chegam carregados de tarefas,
de horas compridas,
de coisas que precisam ser feitas
sem que exista vontade de fazê-las.

Ainda assim, segue-se.

Um passo,
depois outro,
tentando não antecipar o cansaço,
não contar os dias que faltam,
não transformar preocupação
em certeza.

Mas algumas horas parecem conspirar.

Uma coisa dá errado,
depois outra,
e mais outra,
até que o pouco de leveza
guardado para atravessar o dia
também se esgota.

Há dias assim.

Dias em que não é preciso
procurar uma lição,
encontrar beleza no caos
ou agradecer pelo que doeu.

Às vezes,
é suficiente chegar ao fim.

Fechar a porta.
Diminuir os ruídos.
Deixar a água levar
o peso que não precisa entrar na noite.

Amanhã ainda haverá tarefas.
Talvez outros desafios.
E a folga pode parecer distante
quando vista do cansaço de agora.

Mas ninguém precisa atravessar
todos os dias de uma vez.

A noite não precisa carregar
a semana inteira.

Que fique nela apenas o necessário:
um pouco de silêncio,
algum descanso,
uma pequena coisa que faça bem
e a permissão de não resolver mais nada.

Porque certos dias
não precisam terminar em vitória.

Precisam apenas terminar.

E quando a manhã chegar,
que venha somente ela,
sem o peso dos dias seguintes,
sem a obrigação de saber
como será possível chegar até lá.

Um dia encontra o outro.

E, pouco a pouco,
até as semanas mais compridas
também chegam ao fim.

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