Reflexões Sociais e Existenciais

Há quem leia com a alma

Há quem leia apenas palavras,
e há quem escute o que existe
entre uma palavra e outra.

Há olhos que percorrem páginas,
e outros que encontram nelas
portas que ninguém apontou.

Certas pessoas são assim:
sensíveis ao invisível,
ao silêncio que acompanha uma frase,
àquela verdade sem nome
que não se explica,
apenas toca.

Um texto sobre a alma
pode ser somente um texto para muitos,
mas, para elas,
às vezes é reencontro.

Uma lembrança sem memória.
Uma saudade sem lugar.
Uma certeza que chega devagar
e repousa no peito
como se já morasse ali.

Elas não precisam acreditar em tudo.
Nem transformar mistério em resposta.
Sabem que espiritualidade também pode ser
pergunta,
intuição,
contemplação.

Leem sobre caminhos invisíveis
e alguma coisa dentro delas silencia.

Leem sobre continuidade
e sentem uma estranha familiaridade.

Leem sobre encontros, partidas,
vidas, aprendizados e afetos
e percebem que certas palavras
parecem conhecer lugares
onde a razão nunca esteve.

Talvez seja apenas sensibilidade.

Talvez seja memória da alma.

Talvez seja essa capacidade rara
de não exigir que todo mistério
se torne certeza.

Porque algumas pessoas
não procuram provas em cada página.

Procuram sentido.

E quando encontram uma frase
que conversa com aquilo
que sempre sentiram em segredo,
não precisam segurá-la.

Fecham os olhos por um instante
e simplesmente reconhecem:

há palavras que a mente lê,
mas há outras
que somente a alma
parece saber de onde vieram.

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