Nem toda leveza
chega em grandes mudanças.
Às vezes,
ela nasce
quando uma janela se abre
antes que o dia desperte.
No aroma discreto
de um café sem pressa.
Na planta
que recebe água
como quem recebe um afeto.
No livro
aberto por acaso
na página exata
que precisava ser lida.
Na pausa
entre uma tarefa e outra,
quando o mundo continua correndo,
mas alguém escolhe
respirar.
Há uma sabedoria silenciosa
nos gestos
que quase ninguém percebe.
Eles não mudam
o rumo dos ventos.
Mas ensinam a alma
a caminhar
mesmo quando venta.
Talvez a serenidade
não seja um lugar distante.
Talvez seja feita
desses pequenos rituais
que repetimos
sem esperar milagres,
até descobrir
que eram eles,
desde o começo,
que nos mantinham inteiros.
