Leveza e Simplicidade

A delicadeza do essencial

Há uma força
que não faz barulho.

Ela não disputa espaço,
não exige reconhecimento,
não precisa provar
que existe.

Apenas permanece.

Há dias
em que uma janela aberta,
o aroma de um café,
o vento atravessando as folhas
ou uma conversa serena
pesam mais na memória
do que qualquer grande conquista.

Talvez porque a vida
nunca tenha sido feita
apenas de acontecimentos extraordinários.

Ela floresce,
quase sempre,
nas pequenas pausas
que costumamos atravessar
com pressa.

Existe uma leveza
que não nasce
da ausência de dificuldades.

Nasce quando deixamos
de carregar
o que já não nos pertence.

Quando compreendemos
que nem toda resposta
precisa chegar hoje.

Que nem toda ausência
precisa ser preenchida.

E que alguns silêncios
não são vazios.

São descanso.

A simplicidade
não empobrece a existência.

Ela revela
o que sempre esteve ali,
escondido
sob o excesso.

Talvez viver bem
seja isso:

olhar com calma,

agradecer sem alarde,

seguir sem peso,

e descobrir,
todos os dias,
que o essencial
nunca fez questão
de ser grandioso.

2 comentários em “A delicadeza do essencial”

    1. Muito obrigada, Claire! 💛 Fico muito feliz que o texto tenha tocado você. Comentários como o seu me incentivam a continuar escrevendo. Um abraço carinhoso!

Comentário também é uma forma de abraço: