Nem todos os dias
chegam cobertos de sol.
Há manhãs
que vestem o céu de cinza,
e horas
que parecem caminhar
mais devagar
do que o coração gostaria.
Ainda assim,
há algo
que insiste em permanecer aceso.
Não é uma chama
que o mundo veja.
É uma luz pequena,
guardada
no lugar mais silencioso
da alma.
Ela desperta
quando alguém sorri
sem esperar retorno.
Quando uma janela aberta
deixa entrar
o perfume da chuva.
Quando o vento
toca o rosto
como quem lembra,
em segredo,
que ainda estamos vivos.
A gratidão
não nasce
porque tudo é perfeito.
Ela floresce
quando os olhos
aprendem a reconhecer
a delicadeza escondida
nas coisas comuns.
No copo de água
que sacia.
Na voz amiga
que permanece.
Na árvore
que continua oferecendo sombra,
mesmo sem saber
quem descansará sob seus galhos.
Talvez a vida
nunca tenha sido feita
apenas dos grandes acontecimentos.
Talvez ela seja tecida,
dia após dia,
por essas pequenas luzes
que quase ninguém percebe,
mas que sustentam
o caminho inteiro.
E quem aprende
a protegê-las
descobre,
com o tempo,
que não é a intensidade
que ilumina uma existência.
É a constância
daquilo
que permanece aceso,
mesmo quando
a noite demora a passar.
