Recomeços e Transformações

A coragem silenciosa de recomeçar

Nem todo recomeço

chega vestido

de coragem.

Alguns

vestem apenas

o silêncio

de quem decidiu

não desistir.

Não há clarins.

Não há aplausos.

Não há promessas

de que tudo

será fácil.

Há apenas

um coração

que aprende,

pela primeira vez,

a caminhar

sem exigir

que o horizonte

esteja inteiro

diante dos olhos.

Porque a esperança

não nasce

quando todas

as dúvidas

se calam.

Ela nasce

quando alguém

escolhe continuar

mesmo ouvindo

o eco

dos próprios medos.

Há dias

em que vencer

é apenas

abrir a janela.

Respirar fundo.

Preparar um café.

Regar uma planta.

Responder à vida

com um pequeno

“estou aqui”.

E isso,

embora pareça pouco,

é um milagre

que quase ninguém vê.

Os grandes rios

não alcançam o mar

em um único impulso.

São feitos

de pequenas águas

que nunca desistiram

de seguir.

Assim também

é a alma

quando recomeça.

Não precisa correr.

Não precisa provar.

Não precisa convencer

o mundo

de que voltou a florescer.

Basta permitir

que a luz,

paciente,

encontre novamente

as frestas

que a dor

não conseguiu fechar.

Então,

quase sem perceber,

o caminho

deixa de ser

uma pergunta.

E transforma-se

em companhia.

Porque todo recomeço

verdadeiro

não acontece

quando a vida muda.

Acontece

quando o coração

descobre

que ainda existe

beleza suficiente

para dar

o próximo passo.

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