Há espelhos
que mostram
o rosto.
O tempo.
As marcas
que os anos
deixaram
na pele.
Mas existe
uma parte
de nós
que nunca
aparece
no vidro.
Ela vive
atrás dos olhos.
Nos medos
que ninguém vê.
Nos sonhos
que permanecem
guardados.
Na coragem
que nasce
em silêncio.
Quantas vezes
confundimos
aparência
com verdade.
Acreditamos
que somos
aquilo
que o reflexo
devolve.
E esquecemos
que a alma
não conhece
superfícies.
Ela se revela
nas escolhas.
Na maneira
de cuidar.
Na delicadeza
de permanecer
quando seria
mais fácil partir.
No perdão.
Na esperança.
Na capacidade
de recomeçar.
O espelho
pode contar
a idade.
Pode mostrar
o cansaço.
Pode registrar
cada mudança
do corpo.
Mas jamais
conseguirá refletir
a imensidão
de alguém.
Porque aquilo
que realmente
nos define
não cabe
em uma imagem.
Habita
os lugares
onde o olhar
não alcança.
E talvez
o maior encontro
consista justamente
em parar
de perguntar
ao espelho
quem somos,
e começar
a escutar
o que a alma
vem dizendo
há tanto tempo,
em silêncio.
