Autoconhecimento e Verdade, O Silêncio e Escuta Interior

Quem sou quando o silêncio responde

Há perguntas

que atravessam
a vida inteira.

Não porque
não tenham resposta,

mas porque
a resposta

também
precisa amadurecer.

Durante muito tempo,

o mundo
oferece nomes.

Papéis.

Expectativas.

Caminhos
que parecem
prontos.

E, quase sem perceber,

aprende-se
a responder
ao que esperam,

antes mesmo
de escutar
o que o coração
tem a dizer.

Até que chega
o silêncio.

Não como castigo.

Mas como convite.

Um lugar
onde as vozes
de fora

já não conseguem
interromper

a voz
que sempre
esteve dentro.

No início,

ela parece
desconhecida.

Fala baixo.

Hesita.

Como quem passou
tempo demais
sem ser ouvida.

Mas, aos poucos,

cada silêncio
retira uma máscara.

Cada pausa
desfaz uma certeza.

Cada instante
de escuta

aproxima
o olhar

da própria essência.

Então,

a pergunta
muda de forma.

Já não é

“Quem esperam
que eu seja?”

Nem

“Quem fui
até aqui?”

Passa a ser,

simplesmente,

“Quem permanece
quando tudo
o que era emprestado
vai embora?”

E talvez
a resposta

nunca caiba
em uma palavra.

Porque ninguém
é apenas
uma definição.

Somos travessias.

Somos mudanças.

Somos a delicada
coragem

de continuar
nos descobrindo.

E, quando
o silêncio
finalmente responde,

não entrega
um nome.

Entrega

a paz
de não precisar
mais procurar

em outro lugar

quem sempre
esteve
dentro de nós.

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