Há um instante
em que já não é possível
continuar
fugindo.
Não do mundo.
Mas de si.
Durante muito tempo,
é fácil vestir
as expectativas
dos outros.
Aprender
as respostas certas.
Esconder
o que parece
não caber.
E seguir adiante,
como se bastasse
parecer inteiro.
Mas existe
uma verdade
que sempre
encontra
um caminho.
Ela espera.
Pacientemente.
Até que o silêncio
se torne
mais confortável
do que a mentira.
É nesse momento
que começa
a coragem.
Não a coragem
de enfrentar
o mundo.
Mas a de olhar
para dentro
sem desviar
os olhos.
Reconhecer
as próprias sombras.
Aceitar
as fragilidades.
Abraçar
as partes
que durante tanto tempo
foram deixadas
à margem.
Porque ninguém
se torna inteiro
negando
quem é.
A verdadeira força
não nasce
da perfeição.
Nasce
da honestidade.
Da delicadeza
de acolher
a própria história,
com as quedas,
os desvios,
as cicatrizes,
e também
os recomeços.
Então,
já não existe
necessidade
de provar.
Nem de esconder.
Apenas
de existir.
E talvez
esse seja
o mais bonito
dos encontros:
quando o coração
olha para si,
sem julgamento,
e finalmente
reconhece
que sempre
foi digno
de ser amado
como é.
