Há um dia
em que se percebe
que já não se é
a mesma pessoa.
Não por decisão.
Mas porque
o tempo,
silenciosamente,
foi redesenhando
cada detalhe
da alma.
Alguns sonhos
ficaram pelo caminho.
Outros,
que nunca haviam
sido imaginados,
encontraram
um lugar
para nascer.
Houve encontros
que ensinaram.
Despedidas
que transformaram.
Silêncios
que disseram mais
do que qualquer palavra.
E cada experiência,
mesmo a mais difícil,
deixou um traço
quase invisível,
como um artista
que trabalha
com delicadeza,
sem pressa
de terminar
a obra.
Às vezes,
olha-se para trás
e quase não se reconhece
quem um dia
ocupou aquele lugar.
Não porque
tenha desaparecido,
mas porque
continuou vivendo.
Mudando.
Aprendendo.
Deixando ir
o que já não cabia.
O tempo
não leva
apenas os anos.
Leva certezas.
Medos.
Versões
que já cumpriram
o seu papel.
E, sem pedir licença,
oferece outras.
Talvez
a mais verdadeira.
Porque crescer
não é abandonar
quem se foi.
É agradecer
cada etapa
e permitir
que ela
continue existindo,
não como prisão,
mas como raiz.
Então,
o espelho
já não mostra
apenas um rosto.
Mostra
uma história.
E, dentro dela,
alguém
que compreendeu
que a beleza
da vida
não está
em permanecer
igual,
mas em ter coragem
de florescer
a cada nova
travessia.
