Nem toda raiz
nasce para sustentar.
Algumas
apenas dificultam
o voo.
Há caminhos
que chegam vestidos
de primavera,
mas aprendem,
com as estações,
a florescer espinhos.
O encanto,
quando perde a voz,
deixa apenas
o eco daquilo
que já não existe.
E há destinos
que se entrelaçam
de tal maneira
que romper os fios
parece ferir
a própria terra.
Não porque o chão
tenha deixado de existir,
mas porque as raízes
se confundiram
com as pedras.
Então o tempo
ensina
que nem toda permanência
é abrigo.
Há portas abertas
que aprisionam.
Há correntes
que nunca fizeram ruído.
Há silêncios
mais pesados
que qualquer despedida.
Ainda assim,
a semente
conhece um segredo
que a tempestade
jamais compreende:
nenhuma árvore
foi criada
para sobreviver
sem luz.
E toda raiz
que sufoca a vida
um dia
precisa deixar
de ser destino.
