Há lembranças
que não pedem licença.
Sentam-se ao lado do silêncio
e percorrem,
com passos lentos,
os caminhos
que um dia pareceram
os únicos possíveis.
O arrependimento
não muda o tempo.
Apenas ilumina
o que antes
a esperança
não conseguia enxergar.
Revela
que nem toda certeza
era verdade,
nem todo sonho
conhecia o próprio destino.
Mas o tempo
não volta.
Não recolhe palavras,
não desfaz caminhos,
não devolve
as estações perdidas.
Segue adiante,
como um rio
que nunca aprende
a correr para trás.
Ainda assim,
há uma delicadeza
escondida
até mesmo
no arrependimento.
Ele lembra
que a alma
continua viva.
Que ainda distingue
a sombra da luz,
o peso da leveza,
o que aprisiona
daquilo
que liberta.
E talvez
essa seja
a sua única beleza:
não a de prender
ao ontem,
mas a de impedir
que o amanhã
repita
a mesma ausência
de si.
