Para as Noites Difíceis

Noites difíceis

Há noites
em que o silêncio pesa mais
do que qualquer palavra.

A mente percorre caminhos
que o dia nunca ousou mostrar,
e o coração parece caminhar sozinho
por corredores sem janelas.

Mas nenhuma noite
conhece o segredo de permanecer.

Mesmo quando as estrelas
se escondem atrás das nuvens,
elas continuam existindo.

Assim também é a esperança.

Às vezes, ela não ilumina o horizonte.
Apenas permanece acesa,
pequena e discreta,
recusando-se a desaparecer.

Se a noite parecer longa,
não lute contra cada sombra.
Apenas permaneça.

Respire o tempo possível.
Acredite o suficiente
para atravessar mais um instante.

Porque o amanhecer
não pede permissão à escuridão.

Ele chega.

E quando chega,
leva consigo a prova silenciosa
de que até as noites mais difíceis
foram incapazes
de impedir a luz de nascer outra vez.

2 comentários em “Noites difíceis”

  1. “Mudar o caminho,
    quando for possível.” >

    > Está num poema seu, anterior a este, poema que de imediato me fez lembrar das famosas frases finais do poema do Robert Frost – The Road Not Taken / A trilha não tomada – : “Dois caminhos se separavam em um bosque amarelo, e eu…
    Eu escolhi o menos percorrido
    E isso fez toda a diferença.”

    *
    Valeu, Bia.

    1. Muito obrigada, Darlan. Fico muito feliz em saber que o poema despertou essa lembrança de Robert Frost. Essas pontes que a literatura cria entre autores, épocas e leitores são uma das maiores alegrias de escrever. Agradeço de coração por compartilhar essa associação tão bonita. Um abraço! 💛✨

Comentário também é uma forma de abraço: