Há dias que chegam vestidos de promessa,
como se trouxessem nas mãos
o direito de florescer.
Mas, às vezes, a noite cai cedo,
mesmo quando o relógio insiste em dizer
que ainda é dia.
Existem datas
que não doem pela passagem do tempo,
mas pela ausência do que se esperava encontrar.
O abraço que não veio.
A presença que escolheu a distância.
A mesa posta para afetos
que nunca se sentaram.
Então, o silêncio ocupa cada canto,
e a casa parece maior
do que o coração consegue habitar.
Ainda assim,
há algo que permanece intacto.
Nenhuma indiferença
é capaz de diminuir um coração que sabe amar.
Nenhuma ausência
tem o poder de apagar uma vida inteira de luz.
Porque existem dias
que não nascem para serem felizes.
Nascem para revelar,
com a delicadeza amarga da verdade,
quais lugares já não conseguem aquecer a alma.
E, quando isso acontece,
talvez o presente escondido na dor
não seja a tristeza.
Seja a coragem.
A coragem de compreender
que recomeços nem sempre chegam sorrindo.
Às vezes,
eles apenas se sentam ao lado do silêncio
e esperam, pacientemente,
que o coração descubra
que merece voltar a ser casa de si mesmo.
