Há quem nasça feito rio.
Há quem venha como vento.
E há quem chegue ao mundo
com o coração em forma de mar.
Sente antes de entender.
Percebe antes que as palavras existam.
Carrega lembranças
como quem recolhe conchas na areia,
sabendo que cada uma guarda
o som de um tempo vivido.
Tem coragem mansa.
Daquelas que não fazem alarde,
mas permanecem de pé
quando a tempestade insiste.
Protege quem ama
como quem acende uma luz na janela,
não para prender quem parte,
mas para que sempre exista um caminho de volta.
Às vezes, recolhe-se.
Não por fraqueza,
mas porque até o oceano
precisa respeitar o ritmo das próprias marés.
Quem nasce sob esse céu
aprende que a maior força
nem sempre está nas ondas que quebram,
mas nas águas profundas
que sustentam a imensidão em silêncio.
E quando encontra paz,
descobre que seu maior destino
nunca foi apenas cuidar do mundo,
mas permitir que o próprio coração
também seja um lugar de abrigo.
