Há saudades
que não procuram uma pessoa.
Procuram uma versão da vida.
A leveza de acordar
sem carregar tantos pesos.
A paz que morava
nos dias comuns.
O sorriso que surgia
sem pedir licença ao coração.
Existe gratidão, sim.
Pelos encontros,
pelos aprendizados,
pelos instantes que fizeram sentido.
Mas a gratidão
não impede a saudade.
Ela apenas a torna mais serena.
Porque é possível agradecer
o que foi vivido
e, ainda assim,
sentir falta da própria liberdade.
Sentir falta da tranquilidade,
da confiança no amanhã,
da paz que existia
antes de tudo mudar.
E talvez não haja culpa nisso.
Há apenas o reconhecimento
de que algumas experiências
nos transformam…
e outras revelam, com delicadeza,
o quanto era valioso
aquilo que parecia tão comum.
Então nasce um novo desejo:
não o de voltar no tempo,
mas o de reencontrar, no presente,
a serenidade
que um dia fez da vida
um lugar para descansar a alma.
