Há dores que procuram silêncio
para que o tempo as transforme em compreensão.
E há dores que procuram plateias,
como se o eco dos aplausos
fosse capaz de aliviar o vazio.
Quem ama a paz
não sente necessidade de expor.
Protege o que é íntimo,
porque sabe que nem toda ferida
precisa ser mostrada para existir.
Mas quem faz do julgamento um palco
acredita que vencer é apontar,
que razão se conquista
humilhando quem escolheu o recolhimento.
Então os caminhos se separam.
Não apenas por causa da mágoa,
mas porque os valores já não caminham lado a lado.
De um lado,
o respeito pela privacidade,
o cuidado com as palavras,
a busca pela serenidade.
Do outro,
a necessidade de ferir para aliviar a própria dor,
de transformar conflitos
em espetáculo.
E quando os valores deixam de se reconhecer,
não é o amor que parte primeiro.
É a admiração.
E sem admiração,
resta apenas a certeza
de que a paz, às vezes,
é a mais silenciosa
e corajosa forma de partir.
