Há caminhos que a alma conhece
mesmo antes de escolher.
Passos antigos
voltam em silêncio,
como se o corpo repetisse
o que a consciência já não deseja.
Promessas são feitas
no intervalo da dor,
mas a mudança verdadeira
não nasce apenas da vontade.
Nasce quando se olha para dentro
sem fugir,
sem acusar,
sem se abandonar outra vez.
Porque há comportamentos
que não são falta de força,
são feridas tentando se proteger
do jeito que aprenderam.
Até que um dia
a repetição cansa.
E o coração percebe
que não precisa mais sobreviver
com os mesmos medos,
as mesmas escolhas,
as mesmas ausências.
Mudar é interromper
um ciclo invisível.
É escolher diferente
mesmo tremendo.
É reconhecer o antigo caminho
e, ainda assim,
não entrar nele.
Porque toda cura começa
quando aquilo que se repete
finalmente encontra consciência.
