Dor e Reconstrução, Relacionamentos e Vínculos

Depois de se perder

Há relações que não terminam
quando a porta se fecha.

Ficam morando no corpo,
nos gestos pequenos,
na dúvida antes de falar,
no medo de ser demais,
na culpa de existir por inteiro.

Depois de tanto tentar caber
no espaço estreito de outro alguém,
a alma demora a lembrar
o seu próprio tamanho.

É estranho voltar para si
quando durante tanto tempo
se aprendeu a pedir licença
até para sentir.

Mas um dia,
quase em silêncio,
a vida começa a devolver sinais.

Um gosto antigo.
Uma vontade esquecida.
Um riso sem medo.
Uma escolha simples
feita sem pedir aprovação.

E então se percebe:
a identidade não morreu.

Ela apenas ficou escondida
embaixo dos escombros,
esperando o tempo seguro
de voltar a respirar.

Recuperar-se
não é voltar a ser quem se era antes.

É encontrar, depois da dor,
uma versão mais inteira,
mais desperta,
mais fiel ao próprio coração.

Porque quem se perdeu por amar demais
também pode se reencontrar
aprendendo, aos poucos,
a amar a si.

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