O que é verdadeiro
não precisa chegar gritando,
não precisa ferir a alma
para provar que existe.
O que é verdadeiro
não transforma amor em medo,
presença em dúvida,
cuidado em prisão.
Há coisas que permanecem
sem pesar no peito.
Há vínculos que abraçam
sem apertar a respiração.
Porque o amor,
quando é abrigo,
não exige que a paz
se ajoelhe para caber.
O que é verdadeiro
não pede que alguém desapareça de si,
não confunde entrega
com abandono próprio.
Permanece com leveza,
mesmo nos dias difíceis.
Fica sem destruir.
Ama sem apagar.
E se algo precisa machucar demais
para continuar existindo,
talvez não seja permanência.
Talvez seja apego
vestido de destino.
Porque o que é verdadeiro
pode enfrentar tempestades,
mas não faz da tempestade
a sua única forma de presença.
O que é verdadeiro
cuida.
Respeita.
Respira junto.
E nunca precisa destruir
a paz de ninguém
para provar
que merece ficar.
