Relacionamentos e Vínculos

Quando a luz se apaga no fim do túnel

Há palavras que não discutem,
desabam.

Não chegam como conversa,
chegam como pedra,
como porta batendo por dentro,
como algo que cai
e já não volta inteiro ao mesmo lugar.

No relacionamento,
às vezes,
não é o fim que assusta primeiro.

É o peso do que foi dito.
É a acusação lançada
como se o amor nunca tivesse existido.
É o olhar que transforma história em culpa,
cuidado em defeito,
dor em sentença.

E então tudo se quebra
em mil pedacinhos silenciosos.

Quebra a confiança,
quebra a vontade de explicar,
quebra a esperança cansada
de ainda encontrar
um caminho de volta.

Porque há feridas
que não sangram na pele,
mas mudam o som da alma.

Há palavras tão pesadas
que nem o perdão sabe onde pousar.
Há acusações tão fundas
que a luz no fim do túnel
parece apagar antes de nascer.

E a pessoa fica ali,
entre o amor que ainda lembra
e a dor que já entendeu.

Querendo acreditar,
mas sem chão.
Querendo permanecer,
mas sem abrigo.
Querendo encontrar saída,
mas vendo apenas escombros
onde antes havia promessa.

Nem todo fim começa com ausência.
Às vezes, começa com excesso:
excesso de acusações,
excesso de orgulho,
excesso de palavras
que ninguém consegue recolher depois.

E quando tudo se parte,
não é fraqueza parar.

Às vezes,
é a alma dizendo baixinho:
não há túnel possível
onde a dignidade precisa morrer
para que o amor continue.

Porque amor também precisa de luz.
Precisa de cuidado.
Precisa de limite.
Precisa de um lugar
onde a dor possa ser ouvida
sem virar condenação.

E quando esse lugar desaparece,
talvez o silêncio não seja desistência.

Talvez seja apenas
o último pedaço inteiro
tentando se proteger
do que já quebrou demais.

Comentário também é uma forma de abraço: