Quando o outro não se importa, não cuida, não escuta, e ainda se coloca como vítima, a dor fica dupla.
Porque não é só a falta de cuidado que machuca.
É ver a própria dor sendo virada contra você.
Você tenta explicar o que sente,
mas o outro entende como ataque.
Você fala de limite,
mas o outro chama de cobrança.
Você pede respeito,
mas o outro se ofende por ter sido confrontado.
E então tudo se inverte.
Quem feriu diz que foi ferido.
Quem não cuidou diz que foi injustiçado.
Quem não ouviu diz que não é compreendido.
Quem machucou passa a falar como se fosse a pessoa abandonada.
Isso confunde a mente.
Cansa a alma.
Faz a pessoa começar a se perguntar se está exagerando,
se pediu demais,
se deveria ter ficado calada.
Mas existe uma verdade simples:
O fato de alguém se sentir vítima não significa que essa pessoa não tenha causado dor.
Algumas pessoas não suportam olhar para o próprio comportamento.
Então transformam o limite do outro em agressão.
Transformam a tristeza do outro em drama.
Transformam a cobrança por respeito em injustiça contra elas.
E quem ama, muitas vezes, fica tentando explicar melhor, falar com mais calma, escolher outras palavras, provar que não queria brigar.
Mas amor nenhum deveria exigir que alguém implore pelo mínimo:
cuidado, respeito, escuta, consideração.
Quando o outro não se importa e ainda se coloca como vítima, talvez o mais prático seja parar de tentar convencer e começar a observar.
Porque quem se importa muda atitudes.
Quem cuida repara o dano.
Quem ama de forma saudável não usa a sua dor para fugir da responsabilidade.
Às vezes, o limite mais necessário é este:
não discutir mais a própria dor com quem só quer defender o próprio ego.
