A paixão
não pede licença.
Chega.
Acende.
Desarruma.
A razão fala baixo,
quase sem coragem,
com seus avisos
nas mãos.
Mas o coração,
quando arde,
não escuta portas,
não mede distâncias,
não calcula quedas.
A paixão vê ponte
onde há abismo.
Vê promessa
onde há silêncio.
Vê destino
onde talvez
só exista desejo.
E ainda assim
segue.
Porque a paixão
não nasceu prudente.
Nasceu chama.
Nasceu pressa.
Nasceu vertigem.
Só depois,
quando o fogo baixa,
a alma entende:
nem tudo que incendeia
ilumina.
Nem tudo que acelera
é amor.
Nem tudo que chama
merece morada.
Mas enquanto arde,
a paixão acredita.
E a razão,
que tentou avisar,
só encontra espaço
quando a paixão
começa a silenciar.
