Há uma vida
que existe apenas
dentro da imaginação.
Uma vida feita
de escolhas que não fizemos,
de portas que quase abrimos,
de caminhos que ficaram
na esquina do talvez.
Às vezes, pensamos nela
como quem olha
para uma janela acesa
em uma casa distante.
Como teria sido
se o passo fosse outro?
Se a resposta tivesse vindo?
Se a coragem tivesse chegado
alguns minutos antes?
Há versões de nós
que ficaram suspensas
em algum lugar do tempo.
A pessoa que seríamos
se tivéssemos partido.
A pessoa que seríamos
se tivéssemos ficado.
A pessoa que quase nasceu
em uma decisão
que nunca aconteceu.
Mas a vida não cabe
em todos os destinos.
Alguns futuros
precisam permanecer invisíveis
para que o presente
consiga existir.
Nem tudo que não aconteceu
foi perda.
Algumas ausências
também protegeram caminhos.
Alguns desvios
salvaram partes da alma
que ainda não sabiam
se defender.
E talvez amadurecer
seja olhar com ternura
para as vidas que não vivemos,
sem abandonar
a vida que ficou em nossas mãos.
Porque mesmo entre
todos os “e se”,
há um agora
pedindo presença.
Há um caminho real
embaixo dos nossos pés.
E há uma versão de nós
que ainda está sendo escrita,
não pelo que poderia ter sido,
mas pelo que ainda pode florescer.

Olhar para a vida com todas as infinitas possibilidades e aquela que for a escolha, e as mudanças que forem acontecendo, é o que podemos chamar de viver… que lindo poema, eu amei amiga das palavras! =)
Que lindo receber esse carinho! Fico muito feliz que o poema tenha tocado você assim. Viver é mesmo essa travessia entre escolhas, mudanças e possibilidades que se abrem pelo caminho. Obrigada, amiga, pelo olhar tão bonito sobre minhas palavras! 💛