Um dia,
sem muito aviso,
a vida volta a caber.
Não como antes,
não do mesmo jeito,
não com as mesmas cores.
Mas cabe.
Cabe no café da manhã,
na janela aberta,
no passo mais leve,
na música que toca
sem doer tanto.
Cabe numa conversa simples,
numa risada inesperada,
num plano pequeno
feito sem medo
de amanhã desabar.
A gente não percebe
o instante exato
em que começa a melhorar.
Só nota depois,
quando o peito respira
sem pedir licença
à tristeza.
Quando a lembrança ainda existe,
mas já não domina tudo.
Quando o silêncio
deixa de ser vazio
e começa a parecer descanso.
A vida volta devagar.
Pela fresta da rotina,
pelo carinho de quem fica,
pela coragem discreta
de continuar tentando.
E então entendemos:
nem todo recomeço
faz barulho.
Às vezes,
ele nasce quieto,
num dia comum,
quando a alma descobre
que ainda há espaço
para sentir paz.

Excelente reflexão! Da para sentir o vento da mudança no rosto!
Muito obrigada! Que imagem linda você trouxe: “o vento da mudança no rosto” é exatamente essa sensação de quando a vida começa a respirar de novo por dentro. Fiquei feliz demais com sua leitura. ✨