Quando a noite fecha a porta
e o silêncio vem ficar,
o coração perde a hora
e começa a pensar.
Vêm medos sem aviso,
preocupações sem fim,
tristezas pelo caminho,
pesando dentro de mim.
A ansiedade faz morada
onde eu queria descansar,
e a alma, já cansada,
não consegue se calar.
Vêm lembranças aborrecidas,
frustrações a incomodar,
palavras mal resolvidas
que insistem em voltar.
E aquela dor tão sentida
de quem tentou explicar,
mas saiu ferida
por ninguém escutar.
Há noites que são injustas,
difíceis de atravessar,
parecem cobrar da alma
o que ela não pode pagar.
Mas mesmo quando tudo aperta
e falta força para sorrir,
há uma esperança discreta
tentando não desistir.
Porque a noite, por mais longa,
também precisa acabar,
e nenhum peso da alma
tem licença para ficar.
Amanhã talvez não cure
tudo o que hoje doeu,
mas pode trazer mais calma
ao coração que sobreviveu.
