Relacionamentos e Vínculos

Quando a paixão aprende a amar

A paixão chega primeiro
como quem abre todas as janelas
sem perguntar se a casa estava pronta.

Entra com vento,
com pressa,
com fogo nos olhos
e mãos cheias de urgência.

Ela quer tudo agora.
Quer presença, resposta, certeza.
Quer tocar o impossível
antes que a razão acenda a luz.

A paixão não sabe esperar.
Ela arde.
Ela chama.
Ela confunde o peito
com um céu em tempestade.

Mas um dia,
sem fazer barulho,
o amor começa a nascer
no mesmo lugar.

Não chega gritando.
Não derruba portas.
Não exige provas a cada instante.

O amor chega devagar,
como quem aprende o caminho da casa,
como quem não precisa incendiar
para permanecer aceso.

E então a alma percebe:
talvez a paixão não tenha morrido.
Talvez apenas tenha deixado
de querer ser fogo o tempo inteiro.

Talvez tenha aprendido
a ser luz.

Porque a paixão ocupa o peito
como incêndio.
O amor ocupa o mesmo espaço
como abrigo.

A paixão quer o instante.
O amor escolhe os dias.

A paixão pergunta:
“Você me deseja?”

O amor responde:
“Eu fico.”

E entre uma chama que assusta
e uma presença que aquece,
a vida ensina em silêncio
que nem tudo que diminui
deixou de existir.

Às vezes,
o que parecia fim
era apenas transformação.

O fogo baixou,
mas não apagou.

Só aprendeu
a não queimar
aquilo que queria cuidar.

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