Há amores que não chegam
para bagunçar a alma,
mas para acalmá-la.
Não entram como tempestade,
nem como urgência,
nem como promessa exagerada.
Chegam simples,
como quem encosta devagar
a mão na vida
e diz sem palavras:
agora pode respirar.
Há amores que fazem bem
porque não pedem que alguém
se diminua para caber.
Não exigem silêncio onde existe voz.
Não confundem cuidado com controle.
Não transformam presença em prisão.
Apenas caminham junto.
E caminhar junto
é uma das formas mais bonitas
de permanecer.
É dividir o riso sem medir.
É fazer planos sem apagar o presente.
É ter liberdade
e, ainda assim,
escolher voltar para o mesmo abraço.
O amor que faz bem
não precisa provar força o tempo todo.
Ele aparece nas pequenas gentilezas,
na escuta sem pressa,
na alegria de contar o dia,
na paz de ser exatamente quem se é
sem medo de perder o encanto.
Porque amar também pode ser leve.
Pode ser manhã clara,
mensagem boba,
mão dada na rua,
cumplicidade no olhar,
vontade de ficar
sem perder a própria direção.
E quando o amor faz bem,
a vida não fica menor.
Ela se expande.
Ganha cor nos detalhes,
calma nos dias comuns,
riso nos cantos da casa
e uma certeza bonita:
não é preciso deixar de ser inteiro
para dividir a vida
com alguém.
