Há uma luz que não se explica.
Ela não vem de fora,
não depende do sol,
nem das mãos que aplaudem,
nem dos olhos que reconhecem.
Nasce em silêncio,
no lugar mais profundo do ser,
onde a dor já passou,
onde a esperança quase caiu,
onde a vida, mesmo ferida,
ainda escolheu permanecer.
A alma incandesce
quando atravessa a noite
sem deixar que a noite
lhe roube a essência.
Brilha diferente
quem já conheceu o escuro.
Não com brilho ingênuo,
mas com chama madura,
dessas que não fazem barulho,
mas aquecem tudo ao redor.
Há pessoas que carregam
uma claridade antiga no peito.
Não porque nunca quebraram,
mas porque aprenderam
a transformar rachaduras
em entrada de luz.
A incandescência da alma
não é euforia.
É presença.
É força silenciosa.
É coragem acesa
mesmo quando o mundo
parece soprar contra.
É quando o coração entende
que não precisa incendiar o mundo
para provar que existe.
Basta continuar brilhando
com verdade,
com ternura,
com profundidade.
Porque algumas luzes
não foram feitas para apagar.
Foram feitas para atravessar
o tempo,
as perdas,
os recomeços,
e ainda assim dizer:
eu continuo aqui,
acesa por dentro.
