Autoconhecimento e Verdade

O silêncio entre o medo e a escolha

Há um instante pequeno
entre o medo
e a escolha.

Um espaço quase invisível,

mas suficiente
para que a alma respire
antes de entregar a direção
ao primeiro impulso.

É ali
que muita coisa pode mudar.

Antes da resposta atravessada.

Antes da desistência.

Antes da fuga.

Antes de acreditar
que todo pensamento assustado
está dizendo a verdade.

O medo chega rápido.

Entra sem pedir licença,
aperta o peito,
inventa urgências,
aumenta distâncias,
transforma possibilidades
em ameaças.

Ele fala alto
porque quer proteger.

Mas nem sempre
sabe conduzir.

Às vezes,
o medo chama de perigo
aquilo que é apenas novo.

Chama de fracasso
aquilo que ainda está começando.

Chama de fim
aquilo que talvez seja
só uma curva do caminho.

Por isso,
é preciso aprender
a escutar sem obedecer.

Sentir sem se entregar inteiro.

Parar
antes de reagir.

Respirar
antes de decidir.

Nem toda emoção
precisa virar movimento imediato.

Nem todo susto
precisa escolher por nós.

Há uma sabedoria silenciosa
que nasce quando a consciência
consegue permanecer presente
mesmo diante do desconforto.

É nesse intervalo
que a pessoa se reencontra.

No segundo em que percebe:

posso sentir medo

e ainda assim
não deixar que ele escolha
o meu próximo passo.

A liberdade começa
nesse silêncio.

Não no desaparecimento do medo,

mas no momento
em que ele deixa de ser
a única voz
dentro da decisão.

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