Há dias em que a vida pesa
não porque tudo seja escuro,
mas porque a mente se acostumou
a procurar sombra
até onde existe luz.
O mesmo caminho,
a mesma manhã,
a mesma janela aberta,
podem parecer diferentes
quando o olhar deixa de carregar
apenas o cansaço.
Às vezes,
não é a vida inteira que precisa mudar.
É a forma de atravessá-la.
É o pensamento que precisa descansar
da mania de prever quedas.
É a alma que precisa reaprender
a reconhecer pequenas belezas
sem desconfiar delas.
Quando a mente procura apenas o peso,
até o leve parece difícil.
Até o simples parece distante.
Até o possível parece ameaça.
Mas quando o olhar muda,
alguma coisa dentro se desloca.
O problema não desaparece,
mas deixa de ocupar todo o horizonte.
A dor não se apaga,
mas já não decide sozinha
o tamanho do dia.
Há caminhos que só se abrem
quando a mente para
de chamar todo medo de destino.
Há respostas que chegam
quando se aprende
a olhar de novo.
Com menos cobrança,
menos pressa,
menos dureza.
Porque às vezes
o primeiro passo
não acontece nos pés.
Acontece no olhar.
E quando o olhar muda,
o caminho muda também.
