Entre Sentir e Curar

A intensidade que o olhar não alcança

Há dores que não fazem barulho,
mas ocupam o corpo inteiro.

Chegam sem aviso,
sem forma exata,
sem lugar fixo
onde possam ser apontadas
com certeza.

Às vezes moram nos músculos,
às vezes nos ossos,
às vezes no cansaço
que não passa com o sono.

Há dias em que o corpo pesa
como se tivesse atravessado tempestades
que ninguém viu.

E por fora,
quase tudo parece normal.

Um sorriso ainda aparece.
Uma tarefa ainda é feita.
Uma resposta ainda é dada.

Mas por dentro,
cada gesto pode exigir
uma força silenciosa.

Há dores assim:
não cabem em explicações simples,
não obedecem ao olhar dos outros,
não diminuem apenas porque
não aparecem por fora.

É o corpo pedindo pausa
em uma língua que o mundo
nem sempre entende.

É a fadiga chegando cedo,
a sensibilidade aumentando,
a mente tentando continuar
enquanto o corpo pede abrigo.

Nem sempre é fraqueza.
Nem sempre é exagero.
Nem sempre é falta de vontade.

Muitas vezes
é uma luta invisível
sendo travada em silêncio.

E ainda assim,
há uma coragem discreta
em cada pessoa
que aprende a viver
com aquilo que não desaparece.

Coragem de levantar devagar.
Coragem de respeitar limites.
Coragem de dizer não.
Coragem de pedir descanso
sem se sentir culpa por existir.

Porque há dores
que não precisam ser vistas
para serem reais.

E há corpos
que merecem cuidado,
mesmo quando o mundo
não entende a profundidade
do que eles carregam.

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