Há quem escreva para ser lido.
Há quem escreva para não esquecer.
E há quem escreva apenas porque algumas emoções não cabem dentro do peito.
Então as palavras são colocadas no papel,
na tela,
num caderno esquecido na gaveta,
como quem coloca uma mensagem dentro de uma garrafa
e a entrega ao mar.
Sem endereço.
Sem destinatário.
Sem garantia de chegada.
Quem escreve nunca sabe.
Não sabe quem encontrará aquelas linhas.
Não sabe em que momento da vida elas serão lidas.
Talvez num dia comum.
Talvez numa madrugada difícil.
Talvez quando alguém estiver precisando exatamente daquilo que foi escrito sem imaginar.
As palavras seguem seu próprio caminho.
Viajam por mares que não vemos,
atravessam distâncias que não medimos,
e chegam a portos que jamais conheceremos.
E, de vez em quando,
uma delas encontra abrigo.
Alguém a reconhece.
Alguém a guarda.
Alguém sente que não está tão sozinho.
Talvez seja por isso que continuamos escrevendo.
Não pela certeza de sermos ouvidos,
mas pela esperança silenciosa
de que alguma das nossas pequenas garrafas ao mar
encontre quem precisava encontrá-la.
