Há silêncios que duram estações.
Dias em que a página permanece vazia,
as palavras adormecem,
e a vida pede mais presença
do que versos.
Então nos afastamos.
Pensamos que o tempo apagou os rastros.
Que os caminhos cresceram em abandono.
Que ninguém mais se lembrará
das portas que um dia deixamos abertas.
Mas alguns caminhos guardam pegadas.
Guardam ecos de risos,
fragmentos de emoções,
pequenas partes de quem fomos
quando escrevemos com o coração nas mãos.
E um dia voltamos.
Com novos sonhos.
Novas saudades.
Novas histórias para contar.
Voltamos sem saber
se alguém ainda estará ali.
E então acontece o milagre simples
que só quem escreve conhece:
uma mensagem,
um comentário,
um nome familiar surgindo entre as linhas.
E descobrimos que nem toda ausência é esquecimento.
Há afetos que permanecem.
Há leitores que ficam.
E, do outro lado da página,
alguém ainda espera
pela próxima palavra.
