Há coisas que chegam sem aviso,
como a chuva fina sobre a tarde distraída.
Não batem à porta.
Não pedem licença.
Apenas entram.
Às vezes vestem o rosto de alguém,
outras vezes vêm na forma de uma lembrança,
de uma música antiga,
de um perfume perdido no tempo.
Há encontros que parecem acaso,
mas carregam a estranha calma
de quem já nos conhecia por dentro.
Há despedidas que continuam morando conosco,
mesmo depois da última palavra.
E há silêncios…
Silêncios que dizem mais
do que muitos discursos.
A vida talvez seja isso:
um caminho feito de perguntas
que nunca recebem resposta completa.
Ainda assim seguimos.
Plantando sonhos em terrenos incertos.
Guardando afeto em mãos passageiras.
Acreditando que o bem oferecido ao mundo
encontra algum jeito de voltar.
Porque no fim,
não são os dias perfeitos que permanecem.
São os instantes.
Os abraços.
As pessoas.
As pequenas luzes que acendemos
na escuridão de alguém.
E que, sem perceber,
acabam iluminando também o nosso caminho.
