Coleções de Leitura | Sinfonia de Palavras 2

As amizades que parecem destino

Há pessoas

que entram em nossa vida
como quem bate à porta.

E há aquelas

que chegam como se já soubessem o caminho.

Não importa a distância.

Não importa a idade.

Não importa o lugar.

Quando o encontro acontece,

surge uma estranha familiaridade.

Como se a conversa
tivesse apenas sido interrompida
por algum tempo

e agora estivesse continuando.

Há amizades
que nascem devagar.

Como árvores.

Precisam de tempo,
de estações,
de convivência.

Mas existem outras

que florescem no primeiro instante.

Como se duas almas
se reconhecessem
em meio à multidão.

Ninguém sabe explicar.

Talvez porque algumas ligações
não pertençam à lógica.

Pertencem ao mistério.

São pessoas
que chegam trazendo conforto.

Que compreendem silêncios.

Que enxergam além das palavras.

Que percebem tristezas escondidas
atrás dos sorrisos.

E alegrias
que ainda não tiveram coragem
de ser anunciadas.

Há amizades
que atravessam décadas.

Outras atravessam oceanos.

Algumas sobrevivem
aos silêncios,
às mudanças,
às curvas inesperadas da vida.

Porque foram construídas
num lugar mais profundo
do que a rotina.

Foram construídas
na confiança.

E a confiança
tem raízes fortes.

As amizades que parecem destino

não exigem presença constante.

Não cobram explicações.

Não fazem contabilidade
de ausências.

Sabem que o afeto verdadeiro

continua existindo

mesmo quando a vida
obriga cada um
a caminhar por estradas diferentes.

Há amigos
que chegam para compartilhar risos.

Outros chegam
para atravessar tempestades.

E alguns,

raros e preciosos,

fazem ambas as coisas.

São aqueles que celebram
as nossas vitórias

como se fossem suas.

E permanecem ao lado
quando os dias escurecem.

Com o passar dos anos,

descobrimos que a riqueza da vida

não está apenas nos lugares visitados
ou nas conquistas alcançadas.

Está também nas pessoas
que encontramos pelo caminho.

Nas mãos que nos sustentaram.

Nas palavras que nos fortaleceram.

Nos corações
que escolheram permanecer.

E então compreendemos:

talvez certas amizades
não sejam obra do acaso.

Talvez sejam presentes discretos
que a vida coloca em nossa estrada

para lembrar

que ninguém foi feito
para caminhar sozinho.

E que alguns encontros

têm a delicadeza
e a beleza

de parecer destino. 

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