O tempo não fala alto.
Não bate na mesa.
Não exige atenção.
Ele apenas passa.
E, enquanto passa,
vai deixando respostas
onde antes existiam perguntas.
Ensina que algumas perdas
não vieram para destruir,
vieram para abrir espaço.
Que certas portas fechadas
eram desvios da tempestade,
e não castigos do destino.
O tempo mostra
que nem toda demora é atraso.
Há sementes que precisam
de muitos invernos
antes de florescer.
Há dores que só encontram sentido
quando olhamos para trás.
E há pessoas
que só compreendemos de verdade
depois que partem.
O tempo também ensina
a delicada arte de continuar.
Continuar mesmo sem certezas.
Continuar mesmo sem aplausos.
Continuar quando o coração
ainda está recolhendo os pedaços.
E um dia,
quase sem perceber,
descobrimos que sobrevivemos.
Que aquilo que parecia o fim
era apenas uma curva.
E que a vida,
com sua estranha sabedoria,
já estava preparando
um novo amanhecer.
