Às vezes me pergunto
para onde vão os desejos
que guardamos em silêncio.
As preces que não pronunciamos.
As lágrimas que escondemos.
Os sonhos que ninguém conhece.
Será que se perdem no vento?
Será que desaparecem
entre os ruídos do mundo?
Ou será que existe algo,
alguém,
uma inteligência maior,
uma luz antiga,
escutando aquilo
que o coração não consegue dizer?
Gosto de pensar
que nenhuma esperança sincera
se perde completamente.
Que cada pensamento de amor,
cada gesto de bondade,
cada palavra lançada com fé
deixa um rastro no Universo.
E que o Universo,
à sua maneira misteriosa,
responde.
Nem sempre quando queremos.
Nem sempre como imaginamos.
Mas muitas vezes
de formas mais belas
do que poderíamos planejar.
Chamamos de coincidência.
Chamamos de sorte.
Chamamos de acaso.
Mas, lá no fundo,
há momentos em que a alma reconhece
que aconteceu algo maior.
Algo invisível.
Algo que não cabe
nas explicações humanas.
E então nasce a gratidão.
Aquela gratidão silenciosa
de quem percebe
que talvez nunca tenha caminhado sozinho.
Que talvez exista uma presença
cuidando dos fios invisíveis da existência.
E que os milagres
não sejam exceções raras,
mas pequenas luzes espalhadas pelo caminho,
lembrando-nos,
de vez em quando,
que há muito mais mistério,
beleza
e amor
entre o céu e a terra
do que os olhos conseguem ver.
