Há verdades
que não chegam quando são ditas.
Chegam quando são vividas.
Por isso a vida
tem o estranho costume
de nos ensinar as mesmas lições
mais de uma vez.
Quando somos jovens,
queremos respostas.
Queremos certezas.
Queremos compreender tudo
antes que o tempo passe.
Mas algumas coisas
só se revelam
depois da travessia.
Só ganham sentido
quando olhamos para trás.
Demoramos a entender
que os pais não eram invencíveis.
Que também carregavam medos.
Que também se perdiam.
Que também estavam aprendendo
a viver.
Demoramos a entender
que o tempo é mais rápido
do que imaginávamos.
Que os dias comuns
são os que formam a vida.
Que os momentos preciosos
raramente anunciam sua importância.
Demoramos a entender
que nem toda partida
é abandono.
Que nem todo fim
é fracasso.
Que algumas perdas
abrem espaço para recomeços
que jamais teríamos escolhido.
Demoramos a entender
que a felicidade
não mora apenas nos grandes sonhos.
Mora num café compartilhado.
Num telefonema inesperado.
Num abraço sincero.
Numa tarde tranquila
que um dia sentiremos falta.
Demoramos a entender
que as pessoas não ficam para sempre.
Que os encontros têm prazo.
Que a presença é um presente
e não uma garantia.
Talvez por isso
a saudade exista.
Para nos lembrar
do valor daquilo
que tivemos.
Demoramos a entender
que perdoar
nem sempre é esquecer.
Às vezes é apenas
deixar de carregar.
Que ser forte
não significa suportar tudo sozinho.
E que pedir ajuda
também é uma forma de coragem.
Mas talvez a maior de todas as lições
seja esta:
a vida não exige
que compreendamos tudo imediatamente.
Algumas respostas
precisam amadurecer.
Algumas verdades
precisam de anos.
Algumas sabedorias
precisam de cicatrizes.
E quando finalmente chegam,
não fazem barulho.
Sentam-se ao nosso lado
como velhas amigas.
E nos fazem sorrir,
ao perceber
que aquilo que procuramos durante tanto tempo
estava silenciosamente crescendo
dentro de nós.
