Quando somos jovens,
acreditamos sem perceber
que certas pessoas
estarão conosco para sempre.
Os pais.
Os avós.
Os amigos de longa data.
Aqueles rostos familiares
que fazem parte da paisagem da vida
como as montanhas fazem parte do horizonte.
Não imaginamos a ausência.
Não pensamos no adeus.
Porque algumas presenças
parecem tão naturais
quanto o nascer do sol.
Elas estão ali.
Sempre estiveram.
E acreditamos,
em silêncio,
que sempre estarão.
Mas o tempo segue seu caminho.
Discreto.
Paciente.
Invisível.
E, aos poucos,
começamos a perceber
que nada permanece exatamente igual.
Os cabelos embranquecem.
As vozes mudam.
Os passos desaceleram.
Os encontros tornam-se mais preciosos.
As despedidas mais demoradas.
Então compreendemos
algo que o coração tentou ignorar por anos:
até as pessoas que pareciam eternas
pertencem ao tempo.
É uma descoberta dolorosa.
Porque ninguém nos ensina
a lidar com a fragilidade
daquilo que amamos.
Ninguém nos prepara
para ver partir
quem sempre esteve ali.
Mas há também uma estranha beleza
nessa verdade.
Porque é justamente a finitude
que torna os encontros preciosos.
Se tudo fosse eterno,
talvez não prestássemos atenção
aos pequenos instantes.
Ao café compartilhado.
À conversa sem pressa.
Ao abraço habitual.
Ao simples fato
de ter alguém ao nosso lado.
As pessoas que pareciam eternas
deixam marcas profundas.
Moldam quem somos.
Habitam nossas lembranças.
Ensinam palavras,
valores,
afetos.
E mesmo quando a vida
as leva para longe,
de alguma forma continuam presentes.
Na maneira como sorrimos.
Nas expressões que repetimos.
Nos conselhos que recordamos.
Nas histórias que contamos.
Porque há pessoas
que partem dos dias,
mas não partem da alma.
E talvez a eternidade verdadeira
não esteja em permanecer para sempre.
Esteja em deixar algo de si
tão profundamente gravado
no coração de alguém,
que o tempo já não consiga apagar.
Assim, um dia,
olhamos para trás
com saudade e gratidão.
E compreendemos que aquelas pessoas
que pareciam eternas
talvez não fossem eternas em vida.
Mas se tornaram eternas
na memória,
no amor
e na parte mais silenciosa
de quem nos tornamos.
